segunda-feira, 27 de abril de 2015

caixinha de lixo


eu sou caixinha de lixo. não cesto, caixinha mesmo. dessas de guardar presentes, de colecionar pingentes. mas eu guardo lixo. pessoas, emoções, palavras, gestos, ausências, migalhas... muitas formas de lixo. não tô dizendo que tudo isso não preste. to dizendo que a parte disso que eu deveria descartar, eu guardo. algo curioso que tem acontecido é que todo lixo que guardei começou a se desfazer de mim. algum dos meus sentidos diz que isso é ruim (só que este sentido também tá na minha caixinha, e talvez me abandone). eu não sei onde isso tudo vai parar. um fato é certo: por mais que eu acredite precisar desta caixinha, eu não preciso. e, aos poucos, ela tem notado.
 - menino, recicle. 
não, é um novo ciclo. 
deixa!


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

da cidade, da saudade




sábado, 13 de setembro de 2014

Não. Vocês não vão.

O meu papel não está só na boca.
Está no peito. Tá na alma.
E essa não cala.
Enquanto VOCÊ atira.
Ela, aflita, grita:
- Pare!
Dê meia volta
Com suas meias verdades
Que só de ver, arde.

E deve ser por isso que todos fecham os olhos.
E soltam seus ódios.
E tentam acabar com essa praga.
Mas acredite: não faz sentido o que você prega.
Acorde, gente cega.





Nota:
Ainda há uma parcela da população que precisa de proteção. Você se sente suficientemente protegido? Ótimo! Eu não. Mas eu quero, bem como você, me sentir assim: protegido. Eu não te peço que lute comigo. Eu te peço que não me atrapalhe. E então não. Você não vai. 




Foto que serviu de inspiração de  Denis Lacerda Paula Araujo.

domingo, 24 de agosto de 2014

distorcido



se torcer por um abraço
      é dar o braço a torcer
     eu aceito
            afinal
        não tem que fazer sentido
tem que me fazer sentir



                        ainda que sem ti 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

a.m.a.r.é

sem equilíbrio, caí
e aí foi só caos
me queria aí
e te quis pra cá
talvez ou aliás
me espere no cais

porque
se amar é só confusão
que a maré carregue
e me deixe só
(confissão)

ah, esse mar...
da cor dos seus olhos
ah, esse amor...
acordar aos seus olhos

seria lindo
se eu não estivesse a fugir
ou se eu não tivesse afogado

é a vez do sol agora        
ah, mas por quê?        
HM, tou cansado de marola     


quinta-feira, 17 de julho de 2014

alme-se


Este é mais um oculto.
Que te presto um culto.
Que grito: te curto!
Que eu surto.
Que me assusto.
'Que vejo seu vulto.
Que vejo se volto.
Que faço meu voto.
Que você me veta. Que saudade, Veveta.
Que lá fora venta.
Que alma diz: tenta.

Que eu desisto. E des-existo.

Às vezes, é preciso selecionar o que é foco. Outas vezes, não. 

sexta-feira, 27 de junho de 2014

bumerangue


Lá vem o mentiroso.
Já vai dizer que é ameno e que sabe ponderar.
                          (quem sabe, um dia, poderá?)
Lá vem o orgulhoso. 
Já vai dizer que agiu naturalmente.
                      (na tua mente - e só)
Lá vem o maduro. 
Já vai dizer que sabe lidar com a situação.
               (...parece são. Mas não se situa.)  
Lá vai o texto. Como pretexto e disfarce.
                                                  (de praxe)
Lá vou eu - ou a parte de mim que não se perdeu. 
Divago entre o meu e o céu,
seu e o mel
eu e fel. 
   
fiel


(Pronto! Mais um final, sem ponto, em que me desaponto). 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Eu vou só, eu vou só!


Anália, me complete. Não me prenda.
Não me limite, me imite.
Vem, Anália. Vem que tem.
E, se não tiver, a gente faz.
Eu estou pronto, Anália.
Se apronte também. E vem. 

Eu comecei a escrever e ficou assim. Com e sem intenção, poesitizei o que já era poesia. E talvez eu até tenha estragado. Se não o fiz, confundi. Eu só queria mostrar como a música, com todas suas metáforas, me faz pensar. Fui lá e metaforizei, também, meu pensamento. É, eu não me aguento.  Mas era mais ou menos assim:

Faça o que quiser.  Desde que seja por você e não por Anália. Se ela for contigo, ótimo. Se ela não for, lamente (por ela, coitada). 


Ah, a música é Maracangalha, de Dorival Caymmi:



sábado, 29 de março de 2014

Direção: dê ré; - ação!

O vento sopra a meu favor...
Mas estou resfriado e ele tá vindo com neblina.
O vento sopra o meu favor...
Mas ele tá bagunçando todo o meu cabelo.
O vento sopra a meu favor...
E olha só, acaba de levar o mapa que eu estava seguindo.
O vento sopra a meu favor.
Hm, agora ele tá trazendo fumaça e, droga!, é de cigarro.

Uma constante: o sopro. Outra: sofro.
Já percebi que estou na direção errada. Mas isso não é poético. Se eu admitir, vai destruir a estrutura do texto e não foi pra isso que ele foi escrito. É pra ser muito bem estruturado, não sincero. Alguém pode não gostar, de verdade. E eu culparei o vento, de novo. 
Se não se importa consigo, faça isso pelo vento.
Sopre a seu favor.                                                 

segunda-feira, 10 de março de 2014

.:bloco de carnaval transcrito num bloco de notas:.



Me surge uma mão com sangue.                
Não havia nenhuma vontade em marcar o trajeto. Nem desejo de volta. Ainda assim, como se fossem as migalhas do conto de João e Maria, o percurso era notável. E não era pão que caía. Era paz. Em cada gota de sangue, uma gota de esperança. A coragem havia sido derramada no chão. Tingia a rua de vermelho. Aos poucos, a dor ofuscava a cor. Abre alas pro carnaval dolorido. De máscaras de compaixão.
Dos olhos, lágrimas. Do coração, o grito. Da sombra, a voz. "Olhem o que vocês fizeram, olhem o que vocês fizeram!"
                         Mas eu não fiz nada - pensei.
                         E aí está meu erro: eu devo fazer.
                         Mesmo que isso  
                                                me suje uma mão com sangue.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

dorme-se

adormeci
em dor
a dor
meu céu
adormeceu
dormente, a dor mente
eu doído
e sem domínio
também minto

sábado, 20 de abril de 2013

Prazer em vê-lo(pe).



Acordei e você estava lá, inviolada.
Você sempre chega assim, sem avisar.
Mas não demora a me arrancar um sorriso. 
Te abri.
E, desta vez, o que trouxe pra mim?
De início, a saudação, claro.
Ainda bobo, percorri, com meus olhos curiosos, seu corpo.
Que delicioso afago.
Você caprichou desta vez.
Até percebo seu a-b-r-a-ç-o mais longo.
E eu, tonto, começo a te sentir.
Quanta saudade.
Me abri.  
Eu queria estar ao seu lado, selado.
Quando eu preciso ouvir, você não me descarta.
Você me diz, carta.



Este texto foi feito pra um trabalho da faculdade,
 pra empresa Correios. 
A carta da imagem foi (e é) minha inspiração. 

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Elo


A minha metamorfose levou-me a perceber, com custos, valores que, por natureza, deveriam ter me dado base para tudo que acredito. Mas, agora, percebo que tudo que acredito reflete em mim como a necessidade de ter uma base e esta base não poderia ser outra...


Família, hoje eu sei como agir pra te pertencer. 

domingo, 1 de janeiro de 2012

Eu pedra



         "Nunca me esquecerei desse acontecimento
           na vida de minhas retinas tão fatigadas."
                                                 (Carlos D. de Andrade)


             Retirem-me de seus caminhos. Sou pedra.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Eu hipócrita

Estimados leitores, não repetirei o meu clichê de "eu não sei o que está acontecendo".
Desta vez eu sei e, acreditem, não me importo.
Já é tarde para reclamar, mas desde quando eu sou obediente e lógico?

Posso garantir que o caminho em que sigo está empolgado em me tornar mais frio... Garanto, também, que ele tem feito isto com maestria. Algumas coisas farão falta, eu sei, mas só consigo pensar em mim agora. Serei um pouco mais egoísta do que sempre fui. Agora, como reflexo de pessoas que buscam, sem limites, a felicidade.

Sou pedaço, sou descartável, sou complemento...
Serei inteiro, portanto, pra mim.

Talvez eu esteja errado, mas o novo e espontâneo será, por mim, muito mais valorizado que o velho e programado. Sim, estou tentando DESAPEGAR, não ser dependente e limitado por lembranças.

E a melhor parte: a dor é muito (mas muito) menos da que eu temia.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

L'Ego

Peça por peça, por peça, por peça...
O meu castelo de lego, nas mais variadas cores, crescia.
Eu o fiz, logo, engrandecia-me o ego.
Era belo! E eu o amava!

Tenho apreço ao que, feito de lego, é belo.
E construíam - ao meu, paralelo - outro castelo.
Mas faltavam-lhe peças, enquanto lhes sobrava beleza.

Sem apego, doei peças... Vermelho, azul, amarelo...
Não é despacho, eu zelo! Mas anelo, em outrem, possibilidades.

Meu castelo não cresce mais. Mas encontra-se perfeitamente como o deixei. Ainda o admiro.
Admiro, também, o que ajudei a construir, temos um elo. Estou disposto a ver a beleza, ainda que ela não esteja nos meus. Contemplar e sentir-se próximo, exatamente por causar a distância. As peças jamais foram minhas. Eram do castelo.




E eu, o que levo? Nada. Deixo tudo, inclusive o ego.
E meu lego será, eternamente, belo.


É tudo que digo, que alego. 

domingo, 26 de junho de 2011

Uma maçã

Era um broto. Cresceu. Tornou-se maçã. Verde, mas maçã. Amadureceu. Agora, vermelha e desejada.Mas encontrava-se em um galho alto. Inalcançável. Então era só admirada, de longe. Ninguém despertava interesse suficiente pra torná-la alcançável. Desprendeu-se do galho. Migrou em direção ao chão e partiu-se ao encontrá-lo. Ali, dividida, apodreceu. Noutro dia, enquanto pisavam-na, procuravam-a no alto e se lamentavam por não tê-la. Mas, desta vez, não havia mais soluções. E não houve.

Uma maçã, apenas.  

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Sim, please.


(...) se você e eu somos amigos, há uma prontidão dentro de nosso relacionamento. Quando nos vemos ou quando estamos separados, há uma prontidão de estarmos juntos, de rirmos e falarmos. Essa prontidão não tem definição concreta: é viva, dinâmica e tudo que emerge do fato de estarmos juntos é um dom único que não é compartilhado com mais ninguém. Mas o que acontece se eu mudar "prontidão" por "expectativa", verbalizada ou não? Subitamente a lei entra no nosso relacionamento. Agora você espera que eu aja de um modo que atenda às suas expectativas. Não tem mais haver com nós dois, mas com que os amigos devem fazer  ou com as responsabilidades de um bom amigo.(...)
Retirado de A Cabana


Um basta naquilo que se estabelece de acordo com uma ordem lógica, com espírito metódico. Falo, aqui, de relacionamentos, sejam eles quais forem. Tenho complicado, eu sei. Mas minha busca é pela simplicidade.
Nota mental: Preocupar somente com o tempo em que se é capaz de viver.



quarta-feira, 8 de junho de 2011

Tratado Abstrato

Agimos certo sem querer

Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você esta comigo
O tempo todo
E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem...


 Parece ser melhor ancorar-se na certeza de que houve, de fato, o grito que se ouvia.
Ainda que seus pedaços estejam espalhados, sua destruição não está consumada. 
Seus olhos continuaram a refletir a verdade que há em você.


Não é só isso. Tem jeito. 


sexta-feira, 20 de maio de 2011

Inconstâncias

Não é sobre mentiras. Não é sobre necessidades. Não é sobre cobrança. Não é sobre sombras, tampouco contrário a elas. Não é sobre quem sou e o que penso a meu respeito. Não é sobre aquilo que, de fato, devera ser. Sabe-se sobre o que não é, mas não sobre o que é.
Vai além de abraços, momentos, palavras, promessas...
     Não se trata  de dançar conforme a música e ignorar seus movimentos arrítmicos. Nem de trocar pedaços por algo inteiro. Não é uma busca egoísta por perfeição. A todo tempo fala-se em não seguir regras, quebrar paradigmas. Seguir regras é quebra-las. Contrapor deixa de ser a aberração, mas não é sobre isto também.
     Por hora, acreditar no elo invisível não só resta, como satisfaz. Sentir, de alguma forma, que tudo irá voltar ao  anormal, que a incoerência e os absurdos serão a dose exata para trazer os velhos devaneios... Crer, talvez, na essência que, em essência, é imutável, mas permite-se evolução e implora ação. Ter, de volta, os anseios de ter. Tremer, temer, ter (nesta sequência ilógica e variável).
     Ascender. Mais que crescer e evoluir. Encontrar-se grande, construído de coisas pequenas. Partículas únicas, unidas involuntariamente por um órgão involuntário. Aquele muscular que bombeia o sangue, que bombardeia a alma. Aquele onde muitos moram e, dos seus, fazem moradia.

Por que estar não é ser e o ser é indecifrável. O ser é construído de lembranças, fatos, atos... Enquanto o estar é criado, ainda que superficialmente, de reflexos que nem sempre reproduzem a silhueta perfeita.

Bem como quem o escreve, este não tem foco, nem objetivo. Não lhe faz a mínima diferença se o final justificará os meios, pois não vive pelo fim. Não quer que acabe, portanto não acabará. Porquanto acreditar em algo, fará conforme acredita.
Apático, espera que, ao menos desta vez, suas palavras sejam férteis o suficiente para atrair de volta a chuva salgada que cai dos olhos e umedece seu ombro.

Pode ser que seja sobre reconhecimento...